Os bloqueios cardíacos são problemas na condução da eletricidade pelo músculo do coração.
Sim, nós temos um sistema invocado de fios elétricos passando pelo coração, que fazem todo o sistema funcionar em sincronia.
O Nodo Sinoatrial fica no átrio direito, na parte de cima do coração, e funciona como um gerador e relógio natural de comando. Ele produz e envia impulsos elétricos de 60 a 100 vezes por minuto em condições normais, e estes estímulos seguem pelo sistema de condução para os lados e para baixo.
É como se jogássemos uma pedra na água e fizesse aquelas ondas se espalhando.
Agora imagine a perfeição de fazer isso 120 mil vezes POR DIA, durante 80 anos.
Não é pra qualquer engenheiro, não!
Quando a velocidade está abaixo de 60 chamamos de bradicardia, e acima de 100, taquicardia (Atenção, não é “ataque cardíaco”).
Atletas costumam ter coração mais lentos e as pessoas sedentárias, mais rápidos.
A febre e o nervosismo, também aceleram aquela velocidade.
Depois do estímulo se espalhar pelos átrios, ele segue três vias principais até o meio do coração, o nodo Atrioventricular.
Este é um “divisor” e “retardador” da eletricidade, pois leva alguns centésimos de segundo para permitir que o impulso chegue até em baixo, nos ventrículos.
Pra quê serve esse retardo? Para dar tempo dos átrios se encherem de sangue e contraírem mandando o sangue para os ventrículos.
Se não houvesse esse retardo, os átrios e os ventrículos “bateriam” ao mesmo tempo, e o resultado era que o sangue não iria pra lugar nenhum, e seria morte certa.
Infelizmente, algumas arritmias rápidas, causam exatamente este tipo de morte.
O nodo atrioventricular parece um novelo de fios que por formarem um labirinto, permitem este retardo.
Outro tipo de doença é o bloqueio cardíaco ou bloqueio atrioventricular, que acontece quando este retardo é longo demais, por defeito elétrico, morte de células dos fios, falta de sangue no local, etc.
Aí ocorre a lentidão exagerada ou até mesmo a falta de condução da eletricidade para a parte de baixo, nos ventrículos, e pode ser um problemão.
Pequenos atrasos na chegada do impulso elétrico não precisam de tratamento, mas os grandes, ou o bloqueio completo, precisam de marcapasso.
Deste modo o comando todo vai ser feito por este aparelho, colocado embaixo da clavícula, com um fio até o coração.
Existem vários tipos de marcapasso e detalhes envolvidos, daria um artigo inteiro.
Quando o impulso elétrico consegue sair do nodo atrioventricular, há dois fios principais chamados Ramos Esquerdo e Direito, que levam a eletricidade a cada um dos ventrículos.
Quando você recebe seu eletrocardiograma escrito Bloqueio de ramo esquerdo, direito, ou bloqueio divisional ou hemibloqueio, saiba que não tem nada a ver com entupimento das coronárias, mas sim com “mau contato” elétrico e retardo na eletricidade.
Fale com seu médico e não esquente, teremos que fazer alguns exames mas sua vida dificilmente mudará, a não ser que tenha realmente uma doença estrutural do coração, como dilatação ou problemas de coronárias.
O sistema é tão perfeito que mesmo quando um destes ramos esquerdo ou direito não funciona, a eletricidade consegue pular para o outro lado e ativar o resto do coração!
É como se o seu carro tivesse o fio do pisca-pisca cortado do lado direito, mas mesmo assim o esquerdo conseguisse mandar o outro acender!
É mole?

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